A CRISE NA VISÃO DE UM OTIMISTA
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Sr. Tarcísio Teixeira, presidente do Conselho de Administração da Norcon |
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Ousadia, criatividade, entusiasmo, otimismo e competência nos dias atuais são palavras-chave no mundo empresarial. Mas nós, filhos de Oviêdo Teixeira, conhecemos há mais de 50 anos o que representam, na prática, cada uma dessas características. E não exagero. Quem nos conhece sabe do que refiro-me aqui. É por isso que tenho a certeza que passaremos com poucos arranhões por este momento de turbulência.
Quem já viveu dezenas crises nas últimas décadas (Plano Bresser, Cruzado, Plano Collor, Plano Real, crise asiática, argentina, crise russa, crise mexicana – estas quatro últimas no governo FHC, quando o dólar chegou a valer R$ 4,00 reais), quem já viu nossa moeda mudar várias vezes, com o corte de 16 zeros, passou pela ditadura de forma atuante, pois apoiávamos os colegas perseguidos pelo regime militar, considerado os progressistas da época, todos acobertados pela sigla MDB, única opção partidária que fazia oposição aos militares da Arena. |
Corríamos riscos, sim, porque dávamos empregos, abríamos nossas casas para reuniões. E já éramos empresários da Construção Civil. Enfim, quem passou por tudo isso, só pode ser um otimista no atual momento.
Ouvíamos atento o velho Oviêdo contar sobre as conseqüências da crise de 1929, quando estava na casa dos 20 anos. Em 1932, papai foi a São Paulo comprar material para sua loja. Viu, na esquina da São João com a avenida Ipiranga, que era o centro econômico na época, tomada por fumaça e forte cheiro de café. Foi informado que era o governo de Getúlio Vargas que havia mandado queimar o estoque do produto.
A economia do Brasil nos anos 30 era agrícola. Não havia indústria. Só vivia de dois produtos de exportação: 20% o açúcar e 80% o café. Imagine, hoje, se o governo mandasse queimar a produção dos aviões da Embraer, jogasse fora todo o petróleo extraído pela Petrobras, a produção de soja (somos os maiores produtores do mundo), e ainda destruísse a produção de automóveis, que bateu recorde nos últimos anos, desconsiderasse os minérios da Vale e destruísse as milhões de moradias, frutos do enorme crescimento da Construção Civil nos últimos anos.
Enfim, milhares de produtos os quais respondem pela nossa exportação. Pois é, essa diversidade da nossa atual economia, aliada a globalização, é fantástica. Graças a esses fatores, podemos pensar sobre a crise de uma forma menos traumática, pelo menos para o Brasil. Nunca na história desse País (parafraseando o nosso Lula) tivemos uma reserva cambial na ordem de US$ 210 bilhões de dólares. Quem imaginaria há 10 anos, que o Brasil não dependeria do FMI. Entramos no século 21 com tudo a favor. O País tem a Floresta Amazônica, a maior reserva de água potável, o pré-sal.
Quando imaginaríamos ver um presidente do Brasil, aquele país sub-desenvolvido, totalmente dependente dos Estados Unidos, discursando no grupo dos mais ricos e poderosos, o G20. E mais, o torneiro mecânico discursando em português, e os chefes de estado dos desenvolvidos com os fones de ouvido para a tradução, prestando a maior atenção. Lula é ouvido pelos Estados Unidos e Europa.
Os grandes nunca olharam com tanta atenção para o Brasil, que hoje é líder entre os demais. A ótica do mundo está voltada para nós. E o futuro bem próximo depende de nós. Passamos de coadjuvantes para atores principais. Nosso entusiasmo com o momento não significa que perdemos a noção de que o País precisa investir e muito em educação, infra-estrutura e tecnologia. Mas não podemos deixar de reconhecer a riqueza e importância histórica desse período.
Lula tem acertado, com a sua sabedoria popular, nas medidas preventivas e paliativas sobre a crise. Na ajuda aos bancos, com o aumento dos créditos para financiamento da casa própria. Nos subsídios para a agricultura. Na Construção Civil, reconheceu que a cadeia produtiva é gigantesca, sem falar que a moradia está entre os preceitos básicos dos direitos humanos. O presidente valoriza tudo isso. Por tudo que argumentei aqui, afirmo mais uma vez que temos uma fé inabalável (repetindo frase de Juscelino Kubitschek) no estado de Sergipe e no Brasil.
Vamos continuar crescendo e investindo na Construção Civil, na Norcon. Nossa família não tem conta na Suíça, nem bens no exterior. Tudo que conquistamos, investimos dentro da Norcon. Não temos investimentos pessoais porque a Construtora é a nossa vida, minha e de Luiz Teixeira. É nosso coração, nosso sangue. Temos um patrimônio estimado em R$ 800 milhões de reais, avaliado por uma consultoria internacional, a CB Richard Ellis, o que nos conforta em tempos de crise porque temos garantias e credibilidade. Entretanto, nosso maior crédito são as pessoas que trabalham conosco, que dão o seu melhor em nossa empresa, e nossos clientes, os quais confiam em nós e na Norcon.
Nosso maior bem é o caráter, a honradez, o nosso nome. O espírito de vanguarda e o desprendimento, característicos dos Teixeira, não permitem fecharmos em nós mesmos. É por isso que lançamos recentemente um empreendimento em parceria com a Construtora Cosil. Estamos em negociação com a Santa Maria. Vamos desenvolver o Jardim Europa, uma nova região, com o mesmo empenho que criamos o bairro Jardins. Vamos buscar parceiros, sim, cada vez mais. Não nos pautamos pelas informações negativas do noticiário de TV, muito menos pelas fofocas de quem se alimenta de negatividade e da busca doentia pelo insucesso alheio. Aprendemos com o velho Oviêdo a tratarmos com respeito e dignidade os adversários, concorrentes, parceiros, familiares, nossos colaboradores e amigos.
Continuamos firmes e fortes, com as mangas arregaçadas, diariamente, negociando com os fornecedores, atendendo aos clientes, entregando empreendimentos, projetando novos e buscando outros mercados, porque respiramos o nosso negócio, amamos o que fazemos e fazemos bem, com dignidade e competência. E mais, reconhecemos nossos talentos e entendemos que precisamos nos cercar dos bons e dos competentes para continuarmos crescendo de forma sustentável.
Sempre lembramos nosso saudoso Oviêdo Teixeira, que nos ensinou com incrível sabedoria a ousar, criar, ter entusiasmo e otimismo, mesmo nas crises, e trabalhar com humildade, ética, transparência e competência. Quem teve a sorte de absorver os ensinamentos de Oviêdo com certeza ultrapassa tudo, principalmente boatos maldosos e infundados. E viva o bem!
Tarcísio Teixeira, 64 anos, é economista, presidente do Conselho de Administração da Norcon, um dos sócios fundadores da Construtora
Aracaju, 24 de novembro de 2008 |